Friday, January 29, 2010

À deriva

Escreveu o poema, colocou numa garrafa e atirou pela janela. O estilhaço cegou a menina que passava. Concluiu, pensativo, enquanto via a confusão, que um apartamento é uma porção de chão cercada de vazio por todos os lados.

Monday, January 18, 2010

Epitáfio II

Calado e Inerte.
Ele não mudou nada.

Wednesday, January 6, 2010

Figura de linguagem

Aquela que nao quer ser denominada poetiza nao sabe reconhecer a beleza de uma metonimia.

(desculpas a todos mas o computador aqui esta sem acentos)

Friday, December 4, 2009

Badalada

quando em angustia
de punho cerrado
acerto em cheio meu peito
ele poderia soar

como um sino
cuja sina está em responder
a cada um dos golpes
com o som de seu oco

Monday, November 30, 2009

Com algum atraso

Na tela desses dias
sou heroina romantica
estirada sobre a cama
sofrendo dos pulmões
em século inadequado

Wednesday, November 11, 2009

Crônica elétrica


Acho que vou dar uma festa no meu aniversário, eu disse. “Não sei se vou estar aqui”, respondeu a Kelly que divide apartamento comigo.

Sabe aqueles prédios que parecem desabitados, manchados pelo tempo e água e que você não acredita que pessoas possam morar neles. Eu olhando a janela, pensando nos trabalhos que tenho que entregar, na dissertação que a Kelly escrevia, sou uma moradora de um desses prédios que parecem estar em pé só por hoje.

Foi quando puf. Escuridão. Minha janela era tão escura quanto as dos prédios mais dignos a minha volta e sem demora fomos pedir uma vela no apartamento vizinho. Eram apenas duas, velas e moradoras, que lá estavam. Do outro apartamento sai o Fabio com o violão e sem velas também. Três apartamentos, duas velas, cinco pessoas e um violão. Ficamos no hall.

Assim falamos da minha festa, da vida acadêmica, das noticias que chagavam pelos celulares, de serial killers e de pessoas, bem e mal.

Até que veio o sono antes da energia e a luz antes do sono acabar. Acordei no meio da noite incomodada com a claridade e me levantei pra apagar a luz da sala.

Wednesday, November 4, 2009

A vida em 24 quadros: Teto

Ao virar uma esquina, já sumiu o quarteirão e em seu lugar uma caixa cinza de empilhar gente no mesmo numero e roubar do paulistano mais um pedaço do céu.